EDUCAÇÃO BILÍNGUE E A LEITURA – Algumas Abordagens

Reading-Subway-Art

Autora: Michele Cristina Canola Andrade Rojas 


Precisamos deixar o aluno a vontade para ler e deixa-lo à vontade para fazê-lo. Ler é o aluno dominar um código. Ler em outra língua pode parecer difícil, o aluno pode eventualmente demonstrar alguma dificuldade, o que é normal em qualquer idioma. Só ler não é suficiente, ele precisa entender o que está lendo. Ler, entender, compreender, fazer sentido e ter significado.

Talvez lendo uma poesia, um texto de ciências ou um livro que ele goste trará para a vida desse aluno compreensão. Há um termo em inglês denominado inquiry. No estudo baseado na investigação[1], o papel do professor não é dar conhecimento, mas ajudar os alunos durante seu processo de descoberta do conhecimento.  Extrair informações do texto que ele está lendo, criticar, saber o que é importante.

Em alguns países é fornecido a pais que criam seus filhos em duas línguas[2], algumas maneiras de praticar a leitura e casa. Desta forma, também é informado a professores de que maneira colocar a leitura em outro idioma dentro de sala de aula. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Administração de Crianças e Famílias, Gabinete do programa Head Start, pelo Centro Nacional de Resposta Cultural e Linguística[3], elaborou um pequeno livro, onde é desenvolvido algumas formas de leitura em sala de aula onde a família é envolvida. Já é iniciado esse material da seguinte maneira (2012, p. 01).

Crianças bilíngues são beneficiadas por quaisquer tipos de livros – livros em inglês, da sua língua mãe e nas duas línguas. O uso dos livros para fortalecer a língua das crianças é importantíssimo para a uma sala de aula de crianças nos anos iniciais, porém são especialmente importantes para salas de aulas onde crianças são aprendizes de duas línguas (DLLs – dual language learners).

De acordo com a teoria desse centro nacional dos Estados Unidos, que lida com professores de espanhol e inglês em escolas Bilíngues, colocaremos aqui algumas maneiras de desenvolver a leitura em duas línguas:

Primeiramente, deixa-se claro os tipos de livros bilíngues:

  1. Livros em dois diferentes idiomas que têm uma comum origem, como educação.

  2. Texto traduzido[4] no mesmo livro

  3. Tradução publicado como um livro separado

  4. Aspersão de palavras em uma segunda língua ao longo de uma história que é escrita primariamente em Inglês.

Antes de começar a leitura, é sugerida uma conversa sobre o livro com as crianças. Esta atividade inclui olhar as páginas do livro, discutir sobre as figuras, perguntar as crianças o que eles pensam a respeito do livro e o que seria tratado dentro deste e desta forma começar a introduzir a ideia central deste. Para crianças da primeira infância, seria interessante citar algumas dessas abordagens na língua mãe, para crianças que já têm domínio, não se faria necessário.

De acordo com o texto, é importante que haja uma interdisciplinaridade entre as duas línguas: inglês e português, para que seja feita a exploração e leitura desse livro nos dois idiomas. Após a leitura, pedir opinião dos alunos sobrea história. Como vimos poderia haver bilíngues em imersão, e estes teriam alguma dificuldade em falar em inglês ou a segunda língua proposta nessa escola internacional. Então, seria dada a chance para esse aluno dar seu parecer sobre o livro em qualquer idioma, o importante seria a participação do mesmo.

Fazendo o uso desses livros ainda seria uma ótima maneira de introduzir novos vocabulários, para alunos e professores, porque esses vocabulários estão dentro de um contexto. Sabemos então que esse ensino contextualizado é de ótima eficácia para os alunos.

Algo também que poderia dar um efeito positivo, seria convidar pais que têm domínio desta segunda língua para ler com os alunos. Desta maneira, é uma mensagem para crianças e adultos que todas as línguas são respeitadas e valorizadas.

Outra forma seria levar os alunos a biblioteca ou até comprar livros em duas línguas ou somente na segunda língua ensinada, e assim os alunos levariam para casa. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Administração de Crianças e Famílias, Gabinete do programa Head Start, pelo Centro Nacional de Resposta Cultural e Linguística (2012, p. 02) ainda dá dicas aos pais de alunos de escolas bilíngues:

Além disso, os membros da família ajudariam as crianças a compreender a importância de tanto usar a sua língua materna e o Inglês depois que saem da escola. Dependendo de sua fluência em Inglês, você pode querer sugerir aos membros da família que utilizam diferentes linguagens em diferentes dias em casa. Ou incentivá-los a pedir a sua criança para recontar uma história em Inglês.

O Centro Nacional de Resposta Cultural e Linguística ainda sugere a compra de livros de uma série de fontes, como procurar os catálogos das editoras multiculturais / multilíngues, ou pedir os membros da equipe de outros programas de educação bilíngue em sua comunidade onde eles estão adquirindo todos esses livros bilíngues.

Se o objetivo da escola ou do professore for construir uma biblioteca de sala de aula e não há recursos suficientes, seria interessante organizar doações de livros da parte dos pais dos alunos. Ou até mesmo, pedir patrocínio de empresas, dos pais ou da escola. O importante seria iniciar esse processo, para futuramente obter sucesso. A biblioteca de sala de aula existe para criar uma circulação maior de livros dentro de sala de aula. Isso cria o hábito de leitura nos alunos. A maneira de controlar o fluxo desses livros, caberia a cada professor se organizar.

[1] Inquiry-based learning.

[2] DLLs – Dual language learners

[3] Toda vez mencionado, tradução da autora.

[4] Side-by-side translation.


Referências:

FLORY, Elizabete Villibor; SOUZA, Maria Thereza Costa Coelho. Bilinguismo: diferentes definições, diversas implicações. Revista Intercâmbio, volume XIX: 23-40, 2009. São Paulo: LAEL/PUC-SP. ISSN 1806-275x.

MYERES-SCOTTON, Carol. Multiple voices, An Introduction to bilingualism. Edição, Primeira. Local: Malden, United States Editora, Blackwell Publishing, 2006 p 476.

GEVA, E. Aprender a ler em um segundo idioma: pesquisa, implicações e recomendações para serviços. In: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [on-line]. Montreal, Quebec: Centre of Excellence for Early Childhood Development; 2011:1-12.

Nayec. Bridging Two Languages: Engaging Activities for Bilingual Immersion Programs. Disponível em: Link. Acesso em: 30 jun. 2014.

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