Bilinguismo na infância – uma oportunidade

girl drawing with pencils at school

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Autora: Michele Canola Rojas

A criança na primeira infância tem mais facilidade em adquirir o segundo idioma. Além dessas habilidades desenvolvidas na língua, ela também desenvolve a sua parte social. Vale mencionar que a criança, por si só, obtém essas características, da língua mãe ou segunda língua, somente por ouvir um adulto falando de uma forma contínua. Kail (2013, p.12), em Aquisição de Linguagem, descreve muito bem este momento:

A maioria das crianças dominam as estruturas básicas de sua língua materna por volta dos 4 anos, ao mesmo tempo em que dá provas de desempenhos expressivos em outros campos do desenvolvimento cognitivo social, que parecem exercer um papel de destaque na emergência da própria linguagem.

Quando a criança aprende a falar duas línguas ao mesmo tempo, ela se torna competente nessas duas línguas, surge então a o bilinguismo na infância. Muitas pessoas dizem que este momento traz às crianças muito estresse. Porém, a educação bilíngue, que está surgindo e se tornando popular no Brasil, promove um desenvolvimento das competências e inteligência. Cunha, (2007, p. 23) propõe deveres da escola e do professor bilíngue:

As nossas inteligências precisam ser ‘acordadas’ por estímulos. Não nascemos, entretanto, com qualquer competência. Numa análise mais profunda da questão, descobri que o dever da escola (e mais particularmente do professor) é despertar e ampliar as inteligências, mas precisa também construir competências. E o que seriam competências? De acordo com o Dicionário Aurélio, competência significa ‘qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certos assuntos.

Ser bilíngue desde a infância traz oportunidades para estas crianças. Elas desenvolvem suas habilidades intelectuais e são mais criativas. Elas já falam dois idiomas desde pequenas e seus conhecimentos estão expandidos. Cunha (2007, p.23) cita o exemplo de um professor canadense:

[…] Fred Genesee, considerado um dos maiores especialistas no assunto, é como se uma criança que só fala uma língua usasse óculos azuis e só enxergasse em azul. Ou como quem mora em uma cidade e só conhece aquela maneira de viver.

Esta nova visão traz uma oportunidade de ver o mundo de uma maneira diferente.  Pessoas acreditam que ser bilíngue durante a infância causa confusão na mente do aprendiz. Pelo contrário, acredita-se que isso ajuda em seu desenvolvimento. Isso já foi provado em pesquisas, principalmente no Canadá, um país bilíngue com o comprometimento do governo para esse tipo de programa. O país tem duas línguas oficiais: inglês e francês. Há um estudo continuo sobre se as crianças são afetadas negativamente quando são educadas em escolas bilíngues, ou casa e escola com línguas diferente.

Bialystok (2011, p. 01), Ph.D. pela Universidade York no Canadá, pesquisa um fato muito importante e que tem causado muito preocupação de pais e educadores, se o bilinguismo precoce pode afetar o desenvolvimento cognitivo e de linguagem das crianças. A pesquisadora provou que não.

As pesquisas mais recentes têm sido mais equilibradas, identificando áreas nas quais crianças bilíngues são superiores e outras áreas nas quais o bilinguismo tem efeito sobre o desenvolvimento.

Referências:

BORTONI-RICARDO, Stella Marisat. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. 2ª Edição. São Paulo: Parábola Editorial, 2004

SPOLSKY, Bernard. Sociolinguistics. 5ª Edição. Oxford: Oxford University Press, primeira publicação 1998, 5ª Edição, 2004.

CUNHA, Helena Borges. Languages of the heart: Uma nova Perspectiva para a Educação e Aquisição de Idiomas. Edição única. São Paulo: Editora All Print, 2007, p. 78

FISHMAN, Joshua A.; Sociolinguística. Organização de:  Maria Stella Vieira da Fonseca, Moema Facure Neves, Paulino Vandrese. Volume 3, Coleção Enfoque. Livre. Eldorado Tijuca, 1974.

MYERES-SCOTTON, Carol. Multiple voices, An Introduction to bilingualism. Edição, Primeira. Local: Malden, United States Editora, Blackwell Publishing, 2006 p 476.

 

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